NFT o quê? Explicamos sobre essas três letras que tem dado o que falar na internet

NFT o quê? Explicamos sobre essas três letras que tem dado o que falar na internet

7 de julho de 2021 0 Por Carol

Novas possibilidades surgem junto com as novas plataformas e tecnologias. Saiba mais sobre o NFT que tanto se ouve falar ultimamente

Non Fungible Token, ou em português: Token Não Fungível. Apesar do nome tecnológico, poderíamos dizer que a tendência do momento se resumeria como um registro de coleções digitais. O NFT é considerado um selo digital, que garante autenticidade e exclusividade para peças, garantindo que aquele arquivo é único. Muitas das negociações já feitas em NFT foram dentro do setor artístico, como a compra e venda de arte, memes, GIFs, avatares virtuais, sins de videogames, fotos, desenhos, músicas, vídeos, áudios, colecionáveis, tênis de grife, entre outros bens.

Os NFTs fazem parte do blockchain Ethereum (Crédito da imagem: Ethereum)

O NFT funciona como um token exclusivo, como uma obra de serigrafia. Vamos pensar que temos cem serigrafias apenas, é como se você tivesse o número 32 de 100. E, para adquirir você tem que gastar suas criptomoedas, mais especificamente a chamada Etherium (assim como o bitcoin ou dogecoin, a Etherium é uma moeda), o blockchain mais utilizado para essas transações, que você deve comprar em uma corretora.

Mas o mais doido é que você pode ver e baixar aquele arquivo digital quantas vezes quiser. Complicado, não? Os NFTs são projetados para lhe dar algo que não pode ser copiado: a propriedade da obra (embora o artista ainda possa manter os direitos autorais e de reprodução, assim como com obras de arte física). Explicando: qualquer um pode comprar uma impressão Monet, mas apenas uma pessoa pode possuir o original.

Chris Torres, criador do “Nyan Cat”, remasterizou o GIF original do gato-torrada e o registrou como NFT, vendido como uma cópia única de característica colecionável, por 300 ETH, quase US$ 450 mil.

E não vá pensando que você hackeou o sistema clicando com o botão direito do mouse e salvando a imagem de um NFT. Isso não fará de você um milionário porque seu arquivo baixado não conterá as informações que o tornam parte da blockchain Ethereum. Faz sentido?

Com os Ethereuns em mãos, basta você ir a uma galeria de NFT dentre as várias que existem e escolher uma obra. Algumas estão disponíveis para venda direta; outras são vendidas em leilão. Por enquanto, tem sido um negócio minúsculo ligado à uma parte da população (rica) mundial. Quer um exemplo? Jack Dorsey, fundador do Twitter, leiloou seu primeiro tweet por US﹩2.9 milhão e a Sotheby’s vendeu uma arte em NFT do artista Pak por US$ 2,9 milhões.

A mensagem de Jack Dorsey, que completou 15 anos no Twitter foi vendida por R$ 16 milhões: “Apenas configurando o meu Twttr”. Segundo Dorsey, o valor arrecadado foi doado para pessoas que enfrentam o Covid-19 na África.

COMPRA E VENDA DE NFTs

Como disse, os NFTs podem ser comprados em uma variedade de plataformas, e o que você escolher dependerá do que você deseja comprar. Para os artistas, entrar neste espaço traz outro formato para criar e compartilhar arte – e oferece aos seus admiradores outra maneira de apoiar seu trabalho. 

Se você é um artista, já deve ter se interessado em vender sua obra através de NFT. E ficará mais feliz ainda em saber que NFTs têm um recurso em que você pode habilitar a lhe pagar uma porcentagem toda vez que o NFT for vendido ou mudar de mãos, certificando-se de que, se o seu trabalho ficar super popular e tiver um aumento de valor, você verá parte desse benefício na sua conta.

Para os compradores, é preciso a carteira digital que permita armazenar NFTs e criptomoedas primeiro. Depois, há alguns direitos básicos de uso, como poder postar a imagem on-line ou configurá-la como sua foto de perfil. Além disso, é claro, você poderá se gabar de que você possui o original, além dos NFTs funcionarem para alguns como qualquer “ação”, em que você compra e espera que o valor dele suba um dia, para que você possa vendê-lo com lucro.


O britânico John Cleese foi uma das mentes por trás do Monty Python, um grupo de comédia. Recentemente, ele resolveu mostrar até onde o NFT ia: em um iPad, fez o ‘desenho’ tosco da Ponte do Brooklyn, NY, e assinou com as suas iniciais. Os lances começaram em US$100 e já ultrapassaram US$ 36 mil. Cleese disse que quer US$69,3 milhões para a peça, dizendo que não será vendida a menos que alguém dê esse lance.

Hummm… mas quem pagaria centenas de milhares de dólares pelo que basicamente equivale a um meme? Um vídeo que você pode baixar no Youtube? Compilados de áudios de… peidos? Isso mesmo! Um de seus primeiros usos surgiu em um jogo chamado CryptoKitties que permite aos usuários trocar e vender gatinhos virtuais. Sempre eles, os gatinhos na internet! Recentemente, uma pessoa pagou mais de US$170.000 por um. Boa parte dos compradores dos NFTs são investidores no campo da tecnologia. 

CryptoKitty #896775. O nome dela é Dragon, uma gata virtual que em 2018 foi comprada pelo equivalente a US $ 172.000.
Sim, $ 172.000 dólares americanos, ou 600ETH (Ethereum) para ser mais preciso. Ela agora é propriedade do usuário Rabono.

Já existem outros jogos que permitem que você tenha NFTs como itens. Um até vende terrenos virtuais como NFTs. Também há casas neste formato dentro da arquitetura – mais como expressão artística do que projetos concretos. Isso é o que torna os NFTs tão confusos. Algumas pessoas os tratam como se fossem o futuro da arte, e outros os enxergam como colecionáveis. Qualquer coisa digital poderia ser vendida como um NFT (incluindo artigos de sites como do New York Times, desde que você tenha de US$1.800 a US$560.000.

‘Casa digital’ recentemente vendida por US$500.000. ‘Mars House’ projetada pela artista de Toronto Krista Kim, foi descrita como a ‘primeira casa digital do mundo’. O proprietário pode explorar a mansão em Marte usando realidade virtual, incluindo banhos de sol fora de casa (na atmosfera de Marte).

E NO BRASIL, COMO FICA O NFT?

No contexto brasileiro, as coisas já acontecem dentro deste mercado. O Atlético Mineiro entrou no mercado de NFTs com ilustrações de jogadores feitas pelo artista Pedro Nuin. As Havaianas lançaram obras em parceria com o designer e artista Adhemas Batista, radicado em Los Angeles, inspiradas na felicidade. Parte do valor arrecadado com o leilão foi doado ao coletivo Favela Galeria, um museu a céu aberto localizado na zona leste de São Paulo.

Muitos artistas plásticos já associam a realização de negócios por esse modelo pois isso permite expor a criação para grandes interessados nesse mercado, tanto no país quanto no exterior. O brasileiro Heidy Teixeira, mais conhecido como Dinizbr, um dos pioneiros, vendeu mais de 66 obras e já arrecadou mais de US$ 153 mil, ocupando a posição 416º entre os 8,5 mil artistas mundiais computados pelo Crypto Art. O artista baiano Bel Barbosa teve a primeira obra de arte brasileira leiloada via NFT 100% brasileiro. E as apostas não param por aí.

“Fronteira Físico/Digital”, do artista baiano Bel Borba, a 1ª obra de arte leiloada via NFT 100% brasileiro por meio da plataforma InspireIP

Startups como a Phonogram.me, a primeira plataforma do Brasil focada em música, que funciona como uma bolsa de valores, já fazem esse trâmite acontecer com sucesso. No caso, o público pode investir no seu artista favorito, adquirindo um fonograma, da mesma forma que ocorre com a compra de uma ação. Os artistas recebem os royalties quando ele é executado, além de permitir maior conexão entre músicos, colecionadores e investidores por meio de um catálogo poderoso e aprofundado de diversas vertentes musicais.

Supla, por exemplo, aproveitando a tendência, anunciou também a venda de imagens e animações exclusivas. Até Felipe Neto entrou na jogada: a Play9, empresa do influenciador, lançou a 9block, uma plataforma cujo objetivo é “democratizar a criação e comercialização de NFTs”. Alguns tweets tem feito sucesso: um norte-americano adquiriu o feito – por ninguém mais ninguém menos do que Deus – do perfil humorístico (@OCriador). O post traz um comentário sobre aglomerações durante a pandemia do novo coronavírus:

O tuíte foi adquirido por um morador da Califórnia pelo equivalente a R$350 em Ethereum

Por fim, entre 1º de abril 2018 e 1º de junho deste ano foram vendidas 219 mil NFTs pelo mundo, que movimentaram US$ 641 milhões. Qual o intuito disso tudo? Será o futuro do jeito que consumimos? Um modismo? A onda vai passar?

Quer os NFTs estejam ou não aqui para ficar, eles certamente se tornaram um novo investimento, além de trazer um novo significado para parte do que entendemos como o futuro e a transformação digital.

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