Montanhas de roupas não vendidas de Fast Fashion se acumulam no deserto do Atacama, Chile

Montanhas de roupas não vendidas de Fast Fashion se acumulam no deserto do Atacama, Chile

3 de março de 2022 0 Por Carol

Aproximadamente 39.000 toneladas de roupas que não são vendidas nos EUA ou na Europa acabam no deserto de Atacama, no Chile, anualmente. Por que?

Pelo menos 39 mil toneladas acabam como lixo no deserto na área de Alto Hospício, no norte do Chile. Imagem: Martin Bernetti/AFP

Mesmo que acessíveis, as peças de “Fast-Fashion” podem ser extremamente prejudiciais. Isso não é novidade. Muito já foi falado sobre o trabalho escravo, trabalho infantil e os salários irrisórios que vem atrelado a essas lojas, mas o efeito que causam no meio ambiente é bem menos divulgado.

Agora, isso foi escancarado, mais do que nunca, trazendo à tona um grande lixão do 1º mundo no deserto de Atacama. Montanhas de roupas que não são vendidas estão sendo descartadas no deserto chileno, aumentando rapidamente um cemitério de peças devido as lojas de varejo.

Atacama: tristeza do lixão clandestino de roupas compradas e vestidas nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Imagem: Martin Bernetti/AFP

Cerca de 59.000 toneladas de roupas acabam no porto do Chile todos os anos. Desse total, pelo menos 39.000 toneladas são movidas para este “aterro sanitário” no deserto. Atualmente, uma faixa inteira de terra no Atacama, em Alto Hospício (Chile), está coberta com os tecidos descartados.

POR QUE AS ROUPAS ACABAM NO DESERTO DO ATACAMA?

Segundo o relatório da Agence France-Presse, a enorme montanha de roupas é feita de peças fabricadas na China e em Bangladesh que chegam às lojas nos EUA, Europa e Ásia, para as chamadas fast-fashion – e não são vendidas.

O problema é que essas roupas e itens não são biodegradáveis, já que passam por vários processos químicos. Por isso, os itens não são aceitos nos aterros municipais. O deserto mais seco do mundo, agora também sofre com a poluição de objetos, tecidos e acessórios de todas as partes do mundo. Entre os montes é possível achar bolsas, suéteres de Natal e até botas de esqui.

O Chile é o maior importador de roupas usadas da América Latina. Há quase 40 anos existe um sólido comércio de “roupas americanas” em lojas de todo o país. Imagem: Martin Bernetti/AFP

Muitos locais também vasculham o lixão para encontrar roupas de que precisam ou podem vender em seu bairro. Quando as peças não são compradas em 1ª mão, elas são levadas ao porto chileno de Iquique. Comerciantes de Santiago, a 1.800 km ao sul, compram algumas, enquanto outras são contrabandeadas para serem revendidas a América Latina.

Quer as pilhas de roupas sejam deixadas a céu aberto ou enterradas no subsolo, elas agridem o meio ambiente, liberando poluentes no ar ou nos canais subterrâneos de água. As roupas, sintéticas ou tratadas com produtos químicos, podem levar 200 anos para se biodegradar e são tão tóxicas quanto pneus descartados ou materiais plásticos. Isso é surreal se você parar para pensar no impacto que pode gerar em nosso planeta.

Nos lixões têxteis do deserto chileno, é possível topar com uma bandeira dos Estados Unidos, ver um “muro” de calças com etiquetas e até pisar numa coleção de suéteres com motivos natalinos. Imagem: Martin Bernetti/AFP

A PRODUÇÃO DE ROUPAS DOBROU

Pior, globalmente, estima-se que 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são geradas a cada ano. De acordo com um relatório da ONU de 2019, a produção global de vestuário dobrou entre 2000 e 2014, e a indústria é responsável por 20% do desperdício total de água do mundo.

Agora, a indústria têxtil no Chile será incluída na Lei de Responsabilidade Ampliada do Produtor (REP), obrigando os importadores de roupas e têxteis a se responsabilizarem pelos resíduos que geram. Algumas empresas começaram a pensar em como reutilizar a matéria prima ali parada.

AS PESSOAS ESTÃO COMEÇANDO A SE QUESTIONAR +

A montanha de resíduos encorajou alguns a iniciar empresas destinadas a reciclagem dos tecidos para fins mais sustentáveis.

Muitas roupas ali descartadas estão sendo utilizadas para a fabricação de painéis de isolamento de madeira para paredes de habitações sociais; outras, são transformadas em fios ecológicos, dando um maior valor à economia circular.

Homens trabalham em uma fábrica que recicla roupas usadas descartadas no deserto do Atacama para painéis isolantes. Imagem: Martin Bernetti/AFP

Olhando para este cenário, podemos dizer que passou da hora de produzirmos menos. Produzir menos e melhor, além de conscientizar as pessoas para que elas façam as suas roupas durarem mais. É a única forma de avançar.

EL CABRITON: PRODUÇÃO SOB DEMANDA

Pois há muito tempo, o El Cabriton se preocupa com isso, e possui um super diferencial que é a impressora têxtil DTG (Direct to Garnement- direto na roupa) ou, também conhecido simplesmente como silk digital.

Não há telas em nenhuma parte do processo, assim, não é necessária a lavagem das mesmas, economizando milhares de litros de água a cada produção e pouca energia elétrica, além de toda a produção ser feita sob demanda.

Assim, um mundo de oportunidades é aberto ao cliente que escolhe a estampa, a cor e o modelo da sua peça sem desperdícios.

O método é sustentável, pois evita a produção de estoques de inúmeras peças polui muito menos o meio ambiente do que o silk-screen.

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