Women of Rock: Projeto destaca protagonismo feminino esquecido no Rock’N’Roll

Women of Rock: Projeto destaca protagonismo feminino esquecido no Rock’N’Roll

24 de novembro de 2020 0 Por Carol

Women of Rock chama a atenção para mulheres, pessoas trans e não-binárias, ao criar representação na narrativa do Rock

Em 2014, enquanto fazia uma pesquisa sobre mulheres e músicas de rock dos anos 1990 para um simpósio sobre a história da censura durante seu último ano do colégio, Tanya Pearson descobriu a “falta de informação” sobre bandas femininas pioneiras. Bem ela, que ela foi ligada e adorou Rock quando adolescente.

Frustrada, decidiu fechar a lacuna ao coletar histórias de mulheres roqueiras influentes e hoje pouco lembradas, assim, iniciou o chamado “Women of Rock” Oral History Project.

Tanya Person, criadora do projeto Women of Rock

A ideia de Tanya é trazer entrevistas digitais e transcrições escritas (que estão armazenadas na Coleção Sophia Smith, no Smith College, em Massachusetts), e documentar a vida e a carreira de diversas mulheres na música do rock, com foco principalmente em artistas que ficaram de fora da narrativa popular. Pearson, que é historiadora, conta que a coleção até o momento é composta por mais de 40 entrevistas.

“Artistas e músicas que se encaixam facilmente na narrativa masculina existente de “sexo, drogas, rock n ‘roll” têm maior probabilidade de encontrar um lugar na história do rock”, diz ela.

Pearson notou que, apesar de haver muitas mulheres em bandas e grupos musicais, elas não eram repercutidas ao ponto de se destacarem na cena musical, sendo sempre sub-representadas. Se elas são representadas, não recebem o mesmo nível de atenção ou acesso ao público que os homens.

Assim, ao criar espaço para mulheres, transsexuais e pessoas de gênero não-binário compartilharem suas histórias pessoais e profissionais, o projeto contribui para a expansão de uma narrativa do rock mais inclusiva e precisa.

As entrevistas dão oportunidade para todos falarem como é envelhecer no meio musical, suas influências, histórias, paixões e lutas, a fim de que o público possa conhecer esse toque feminino do cenário do rock. Os nomes compõem uma longa lista que integram o indie, o punk e o rock alternativo.

Uma das entrevistadas é Viola Smith (1912-2020), uma das 1ªs bateristas americanas profissionais, que fez bastante sucesso entre os anos 1920 até 1975. Viola morreu em 2020, aos 107 anos e ocasionalmente ainda tocava bateria com bandas na Califórnia, como música senior. 

“No começo, entrevistei pessoas que gostava. Veruca Salt foi a primeira banda de frente feminina que eu estava realmente obcecada. Eles eram como meus Beatles quando eu era mais jovem. Eu a tinha como ‘a’ banda do ensino médio e dissequei suas músicas.

Desde então, meu objetivo tem sido incluir mulheres que não são tão famosas ou que não foram tão reconhecidas quanto eu acho que deveriam ser: Cherie Currie, a vocalista do The Runaways. Gail Ann Dorsey, baixista de David Bowie há 20 anos e uma das principais musicistas de sessão. Também Lydia Lunch, uma das figuras mais importantes da cena No Wave de Nova York, e Alice Bag, da cena punk de Los Angeles na década de 1970.”

Tanya conta em seu site que se concentrou primeiro nas gerações mais velhas, porque quando se forem, tudo o que teremos foi apenas escrito sobre elas e não suas próprias perspectivas.

“Como Grace Slick, do Jefferson Airplane. Ela tem 76 anos, e os jornalistas de rock ainda perguntam como foi transar com Jim Morrison, do The Doors. Eu penso: “Você não tem mais nada para perguntar a esta mulher ?!””

*Women of Rock ainda está em andamento e você pode conferir tudo em seu site! Os vídeos são divulgados frequentemente no YouTube. Acompanhe também no Twitter e Instagram.

*O projeto é uma organização sem fins lucrativos e as histórias ganharão publicação e documentário em 2021 pela University of Massachusetts. Fique de olho!

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