Shamsia Hassani: 1ª artista de rua do Afeganistão espalha imagens esperançosas e feministas

Shamsia Hassani: 1ª artista de rua do Afeganistão espalha imagens esperançosas e feministas

14 de setembro de 2021 0 Por Carol

“A arte muda a mente das pessoas e as pessoas podem mudar o mundo”. Assim pensa Shamsia Hassani

Imagem: Shamsia Hassani via Facebook

A tomada de Cabul pelo Talibã provocou uma série de informações no noticiário internacional. Quem são os talibãs? Por que há tanta proibição? As mulheres poderão trabalhar e estudar? O que irá acontecer daqui em diante?

O Talibã ficou conhecido na década de 90 como um grupo religioso fundamentalista organizado por rebeldes que haviam recebido apoio dos Estados Unidos e do Paquistão para combater a presença soviética no Afeganistão, que durou de 1979 a 1989, em meio à Guerra Fria. A chegada ao poder se consolidou em 1996, com a tomada de Cabul. Uma vez no governo, o Talibã aplicou sua interpretação da Sharia, a lei islâmica, e começou a mostrar violência no país.

O uso de barba se tornou obrigatório para os homens e as mulheres não podiam ser vistas publicamente desacompanhadas dos maridos, por exemplo. Além disso, elas precisavam vestir a burca, cobrindo todo o corpo. Televisão, música e cinema foram proibidos e as meninas não podiam frequentar a escola. Considerando esse histórico, será que haverá uma organização do país de outra maneira em pleno século 2021?

Não se sabe ao certo, já que o comportamento da população tem retratado receio popular. As ruas estão mais vazias e parte do comércio mantém portas fechadas. A vida das mulheres já sofre alguns impactos: muitas estão com medo de sair de suas casas e seguir seu cotidiano. Nessa situação, muitos que continuam em Cabul, o centro dessa movimentação, precisam ser resilientes e fortes para contornar os fatos. Ao menos, transformar alguns sentimentos contrários em pensamentos positivos.

Como a arte é uma forma de mostrar vida, um trabalho de conexão com a alma e suas sensações, foi por meio disso que Ommolbahni Hassani, mais conhecida como Shamsia Hassani, decidiu trazer mais beleza e cor ao caos. A 1ª artista de rua do Afeganistão compreendeu o valor do que era importante para as mulheres, para continuação da sociedade e liberdade, e assim começou a se expressar.

Usando as paredes de edifícios abandonados danificados por bombas como suas telas, Shamsia Hassani pinta murais que retratam mulheres em roupas tradicionais posando alegremente com instrumentos musicais, flores, e realizando outras atividades do cotidiano que para nós seriam consideradas “normais”. Parte de sua missão, diz ela, é popularizar a arte urbana em Cabul e sensibilizar a população.

SHAMSIA HASSANI – ARTISTA DE RUA AFEGÃ E PROFESSORA DE ESCULTURA

Nascida em abril de 1988, Shamsia Hassani é a primeira mulher grafiteira do Afeganistão. Por meio de suas obras, Shamsia retrata mulheres em uma sociedade masculina dominante. Sua arte dá às afegãs um rosto diferente, mostrando poder, ambição, esperança e vontade de atingir novos objetivos.

Sua personagem feminina tem orgulho do que faz e quer trazer mudanças positivas para as pessoas. Durante a última década do pós-guerra no Afeganistão, suas ilustrações trouxeram uma enorme onda de cor e inspiraram milhares de mulheres em diversos países. Hassani também motivou centenas de afegãos a trazerem sua criatividade por meio do festival de graffiti, aulas de arte e exposições que organizou.

A artista conta porém que na época não foi autorizada a estudar Belas Artes. Desde sua volta a Cabul em 2005, decidiu estudar arte tradicional na Universidade da cidade. Mais tarde, virou professora na mesma faculdade e hoje é encarregada das aulas de esculturas e fundadora do coletivo de arte contemporâneo ‘Rosht’.

OS MURAIS POR CABUL

Shamsia Hassani começou a espalhar seus murais nas ruas quando fez um curso grafiti organizado em dezembro de 2010 por Chu, artista do Reino Unido. O curso foi coordenado pela Combat Communications. Com base no que aprendeu começou a prática em muros de casas em Cabul.

Acho que posso apresentar a arte no Afeganistão porque não temos galerias e exposições. Também acredito que posso mudar a opinião das pessoas com a minha arte.” – contou Shamsia.

Seu maior objetivo é combater a opressão vivida pelas mulheres afegãs através do seu trabalho. A artista conta que diariamente luta pela importância do papel da mulher na sociedade civil e nas instituições, mas também pelos valores da paz, da solidariedade e da liberdade de expressão da criatividade no mundo.

“Algumas pessoas pensam que a arte não é permitida no Islã. E então eles acham que deveriam me calar.”

Hassani mantém um olhar vigilante ao seu redor ao trabalhar em suas criações.

Para saber mais ou apoiá-la, acesse o site de Shamsia Hassani e acompanhe seu trabalho no Instagram.

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