Aos 81 anos, Dona Onete mostra como é importante ouvir seus dons artísticos e leva o Pará para o mundo

Aos 81 anos, Dona Onete mostra como é importante ouvir seus dons artísticos e leva o Pará para o mundo

3 de maio de 2021 0 Por Carol

A diva do carimbó chamegado só conseguiu brilhar após a aposentadoria, mas hoje sua luz se espalha pelo mundo. Conheça a história de Dona Onete

Até a sua aposentadoria aos 62 anos, Dona Onete nunca havia sido cantora, muito menos de fama internacional – Foto: Mídia NINJA

Ionete da Silveira Gama, conhecida como Dona Onete é nascida no interior do Pará, morou em Belém, onde passou sua infância, e depois em Igarapé-Miri. Foi Secretária de Cultura e Professora de História e Estudos Paraenses. Ela fundou e também organizou grupos de danças folclóricas e agremiações carnavalescas. Atualmente, com 81 anos, Dona Onete é considerada a “Diva do carimbó chamegado”. Esse título ela carrega com muito gosto, mas até chegar nele teve que passar por muita coisa.

Professora de História durante 25 anos, seu sonho sempre foi viver de música. Ela cantarolava o dia todo dia, mas o 1º marido ficava bem incomodado, não a incentivava e não a permitia que ela se dedicasse à carreira.

Após se aposentar e separada do 1º marido, um dia, estava cantando sozinha enquanto um grupo de Carimbó (ritmo típico da cultura paraense) ensaiava do outro lado da rua. Quando chegaram em sua casa imaginaram que fosse uma jovem no vocal, não fazendo ideia de que Onete era uma senhora. “Quando me chamaram pra cantar com eles, não queria aceitar, mas meu 2º marido disse: ‘Vai, pra você não ficar aí, idosa, deitada em uma rede, doente’. Ele sabia o que estava falando. Meu amor faleceu há oito anos, mas estaria muito feliz com o que está acontecendo”.

Dois dias depois do ocorrido um outro grupo veio perguntar à cantora (ainda anônima) se gostaria de ser uma das vocalistas da equipe. Em 2012, Dona Onete gravou e lançou seu 1º CD, a maioria de boleros e carimbó chamegado. Logo produtoras estrangeiras começaram a se interessar pela cantora, em países como Portugal, França e Inglaterra.

A “rainha do carimbo chamegado” e sua banda lançaram em 2016 o cd “BANZEIRO”. A compositora, que tornou-se referência para os jovens músicos do estado, tem hoje em seu repertório mais de 300 canções e o álbum “Feitiço Caboclo”, lançado em 2012, como “Proposta indecente”, “Amor brejeiro”, “Poder da sedução”, “Moreno Morenado”, e “Jamburana”. Além de canções do seu segundo álbum, como “É no sabor do beijo”, “Tipití” e “Banzeiro”.

Turnês nos EUA e na Europa e shows por todo o país consagraram a jovem talento que na época tinha 79 anos de vitalidade. Dona de uma voz rouca e grande sensualidade, essa senhora, se tornou musa da nova geração da música paraense mas “com um toque de pimenta” como ela mesmo se define. “A música do Pará é muito cheia de mistura, então comecei a fazer essas músicas, que falavam de amor, num ritmo mais lento e muito sensual, e assim nasceu esse carimbo chamegado”, diz Dona Onete, que tem canções gravadas por Gaby Amarantos, Aíla, entre outros artistas, e que agora está levando ela mesma o ritmo para todo o Brasil.

Mulheres que inspiram: aos 81 anos, Dona Onete celebra. O trabalho na música só chegou na 3ª idade, depois de se aposentar como professora. Foto: Mídia NINJA

Dona Onete fala e estudo sobre os sons amazônicos: a música popular, divertida e sofisticada, produzida por ela e sua banda atrai tanto o público mais antenado, quanto aos curiosos por novidades – já que os artistas vem da periferia, agradando à todas as faixas etárias. Seu carisma ao ser combinado com referências indígenas, negras e caribenhas, pesquisadas e valorizadas por ela, trouxeram uma longa vida e carreira.

Também foi pioneira por quebrar preconceitos na cena musical brasileira: ao ser proclamada “rainha do carimbó”, interferiu no machismo que faz parte da história desse gênero musical; ao abordar o tema da sedução em suas composições, rompeu o tabu sobre a vida sexual dos idosos.

Dona Onete cativa o publico com suas poesias e sonoridades. Imagem: 2ºCNATER | 02/06/2016 | Brasília – DF

DA SALA DE AULA DO INTERIOR AOS PALCOS DO MUNDO

Em julho de 2017 Dona Onete foi capa da maior revista de world music no mundo, a Songlines, e fez sua quarta turnê na Europa passando por grandes festivais como Rudolstadt Festival na Alemanha, Zwarte Cross na Holanda, WorldWide Festival em Sète – França (do renomado DJ e produtor Gilles Peterson). Nos meses de junho/julho foi a única artista brasileira a integrar o World Music Charts Europe Top 20 com a faixa “Banzeiro” e no mês de agosto esta mesma música alcançou o 1º lugar! Em 2018 fez mais duas turnês europeias incluindo Ásia e lançou seu 1º dvd ao vivo, além de shows por todo Brasil, palestras e workshops.

“Preciso ser rápida, correr contra o tempo, porque ainda tenho muito pra falar sobre o meu Pará. Acho que é uma obrigação divulgar minha terra, as comidas daqui, a história, a dança, o artesanato, enfim, nossa cultura. Hoje meu estado está mais conhecido, pode ver”, completa Dona Onete.

Para uma vida longa, a rainha acredita na preservação da natureza e não consume álcool. Além disso, deixa um recado aos mais jovens: se tiver uma pontinha de terreno, plante o próprio alimento para comer mais saudável. E claro, faça o que gosta. “Eu falo disso nos meus shows, incentivo que saiam pra passear. A gente precisa fazer algo de que gosta. Pode ser crochê, praticar exercícios ou dançar jamburana.”

Coleção em sua homenagem

Esses e tantos outros motivos ( além de sermos fãs) que achamos que Dona Onete merecia uma coleção de estampas de camisetas para homenageá-la. Assim, o carimbó chamegado pode ser carregado para mais e mais lugares. É uma honra para a El Cabriton e a realização de um sonho as estampas em parceria com essa Diva brasileira!

Estampa Carimbó Chamegado
Estampa O Jambu Treme
Estampa Ouça Dona Onete e No Meio do Pitiu ( amarela)

Enquanto não chega o dia de ver Dona Onete cantando ao vivo de novo… Dá o play!

el cabriton camisetas