Cristina Pagnoncelli é a dona da fachada de número 121.

Cristina Pagnoncelli é a dona da fachada de número 121.

6 de setembro de 2019 0 Por senorelcabriton

No mês em que completamos 10 anos na nossa singela loja na Rua Augusta, algo que queríamos há MUITO tempo aconteceu: chamamos a Cristina Pagnoncelli para participar do Projeto Fachada e ela disse sim!!

Um baita presentão para o nosso aniversário!!

Residente em Curitiba, Cristina é designer e artista visual. Veio a São Paulo ministrar sua oficina de giz na Casa IdeaFixa e aproveitou para passar aqui pela nossa esquina!

foto mostrando as cores escolhidas por Cris
Foto por Cris Pagnoncelli

Atua como profissional autônoma desde 2010, integrando também o coletivo Criatipos. Há mais de 4 anos, ministra a Oficina de Lettering com Giz com foco no desenho de letras em diferentes formatos. Seus projetos envolvem a concepção de identidades visuais, ilustrações e letterings. Sempre que possível procura utilizar o design como uma ferramenta social e ativista, explorando assuntos de seu interesse e pautas que considera importantes. 

Na nossa fachada, Cristina usou um total de 12 horas de trabalho, divididas mais ou menos assim:

Quinta feira: Compra de material e esboço com giz, em torno de 2 horas;
Sexta feira: Pintura com tinta, em torno de 8h ;
Segunda feira: Últimos detalhes, em torno de 2h ;

Ao todo, por volta de 5L de tinta das cores roxo claro, roxo escuro, coral, branco e sobretons foram utilizados.

 detalhe de pintura de flor por Cristina Pagnoncelli na fachada da el cabriton

Conheça mais sobre a artista no breve bate-papo que tivemos com ela:

Você se lembra qual o seu primeiro contato com arte na vida?
Eu sempre gostei de desenhar. Lembro de ter vários cadernos coloridos com lápis de cor quando criança, mas acho que peguei gosto pela coisa aos 8 anos quando minha mãe me colocou numa aula de pintura e fiz coleções de panos de pratos e potes de vidros reutilizáveis pra cozinha dela e depois alguns quadros pra casa, sempre reproduzindo paisagens, flores e frutas. Mas esse contato com o processo artístico bem cedo, com certeza me influenciou muito na afinidade com a fluidez da tinta, o uso das cores, entendimento de luz e sombra. 

Como é a sua rotina? Você trabalha em agenda, faz freela ou tem outro trabalho fixo?
Eu trabalho como autônoma e artista independente há exatamente 10 anos (quando abandonei o mundo de agência). Desde então, passei por muitos espaços colaborativos e coworkings. De 2015 a 2019 tive um estúdio e espaço para dar aulas – o SEGUNDO ANDAR no Edifício Anita. Mas em janeiro desse ano, encerrei a atividade para poder ter mais liberdade, viajar a trabalho e para dar aula no exterior. Então, tenho meu cantinho criativo em casa, mas minha rotina varia muito. Às vezes trabalho na casa de amigos, estúdios, em cafés… tô mais solta pelo mundo 😉 

detalhe da fachada por Cris Pagnoncelli. Pintura diz "No amor seja com quem for"
Detalhe da Fachada
parede da loja el cabriton com pintura por cris pagnoncelli. Pintura diz "Liberdade no amor seja com quem for"
Detalhe da Fachada

Como lida com a procrastinação, ela te atrapalha?
A procrastinação vem. É inevitável e todo mundo sabe. Eu me frustro muitas vezes pois tenho uma cobrança enorme de estar sempre produzindo. Mas tenho buscado esse equilíbrio e me permitindo procrastinar quando não estou produtiva e criativa. A nossa mente também precisa de descanso, de distrações. Mas procuro sempre me observar, se é uma procrastinação que não me faz bem (tipo perder tempo rolando timeline de rede social), busco mudar o foco, me forçar a fazer algo que me faça bem, não necessariamente trabalhar. Às vezes o trabalho não sai e a gente precisa de combustível pra se inspirar. Então, acabo buscando isso em coisas que me dão prazer, como: pedalar, cozinhar pra mim, preparar comidas que gosto pros amigos, arrumar a bagunça, ler, ouvir musica, assistir algo que me inspire – basicamente – atividades offline! A internet nos distrai e angustia muito! 

fachada da loja el cabriton por cris pagnoncelli

A arte em giz e letterring em fachadas e estabelecimentos comerciais têm ganhado mais destaque no Brasil nos últimos anos?
Desde 2013 quando comecei com as artes em giz, não havia muita coisa, mas depois percebo que virou uma febre. Por isso até, desenvolvi a Oficina de Giz (@oficinadegiz) por tanta procura e fico super feliz de ver vários alunos atuando e pagando suas contas com a arte. Já os letterings para fachadas e lojas – em tinta como sign painting e até a folha de ouro, é algo que sempre existiu né, a técnica é antiiiiga e linda, mas o bacana é que tá sendo mais valorizado agora. Acho que depois da digitalização, muita gente quis voltar pro artesanal. Percebo que o trabalho feito a mão e com design mais elaborado tá sendo bastante apreciado nesse momento.

Pintura da fachada da El Cabriton por Cris Pagnoncelli escrito " Fosse a meta do amor, meta amor fose"

Indique uma artista que você admira.  
É muito louco como sempre penso em primeiro lugar, na minha amiga e parceria de vários projetos: a Cyla Costa. Pra mim, ela é referência como pessoa, como profissional, como mulher. A gente tem trocas muito maravilhosas e sinto que aprendi muito do mundo do lettering através dela. Acho que por esse carinho e crescimento conjunto, ela tá sempre no topo da minha lista. Mas tem muita mina foda no Brasil fazendo coisas lindas (e eu amo indicar mulheres!): Camila Rosa, Pri Barbosa, Ana Matsusaki, Lygia Pires, Fefe Talavera, Lady Guedes… nossa, são tantas!

A experiência de pintar no exterior difere de alguma maneira de pintar do Brasil? Alguma barreira cultural?
A língua e os costumes são sempre um desafio. Acho que o mais complicado nas experiências internacionais foi na hora de escolher os materiais, principalmente marca de tinta, especificações, etc. Mas a experiência é linda e prazeirosa da mesma forma! Acho importante estar sempre atento ao local que você vai intervir, a cultura, o público. Olhar ‘pra fora’ é tão importante quanto ‘olhar pra dentro’. Precisamos estar atentos sempre.

camiseta preta com estampa escrito "Lute todos os Dias" por Cris Pagnoncelli
Estampa Lute todos os Dias, veja detalhes clicando AQUI

Se pudessem pintar um muro em qualquer lugar do mundo, qual seria? 
Tô doidinha pra pintar alguma coisa na Espanha. Ou em algum país latino. Tô super conectada com a língua espanhola no momento, pelas viagens para dar a Oficina de Giz (Buenos Aires, Madri, Barcelona). Mas sonho mesmo seria pintar no México. Eu sou apaixonada pelo país e pela cultura mexicana! Quem sabe um dia 🙂

Fachada da loja El cabriton pintada pela artista Cristina Pagnoncelli

Como foi a experiência de pintar na esquina da Augusta? Muito Caótico? 
Confesso que me surpreendi, pois o processo todo foi bem prazeroso pra mim. Mas sei que tem muito a ver com meu momento. Eu estava super em paz, leve e com a mente tranquila. Em outros momentos, mais cansada, estressada, eu me incomodaria com o fluxo de pessoas, com o barulho de carros, motos e buzinas. Mas foi tranquilo, porque eu tava super imersa na experiência e na experimentação. Dias antes, me propus a isso, mentalizei que queria realizar esse projeto sem tanta neura e perfeccionismo e me permitir experimentar com pinceladas mais soltas. Deu certo. Foi lindo! 

Fachada da loja El Cabriton pintada por Cristina Pagnoncelli
Detalhe das flores na pintura da fachada

Você pode falar um pouco sobre as palavras escolhidas para a fachada : Liberdade e Metamorfose. 
Como todo projeto que faço, procuro olhar pra dentro e falar com o coração. Quanto mais conectada com as causas que acredito, sinto que meu trabalho flui mais naturalmente. Há alguns anos venho trabalhando questões femininas e feministas. Isso contribui não só pro meu autoconhecimento e pra minha evolução como mulher e como artista, mas me conecta ainda mais com outras pessoas que estão trilhando o mesmo caminho e compartilham desse processo de aprendizagem e conquista de espaço.

E pra isso acredito muito que a gente precisa se libertar de amarras, de (pre)conceitos, de muitos medos… Só assim a gente consegue proporcionar mudanças na gente e no mundo, transformar nosso entorno começando por investir em melhores versões de nós mesmos. Apesar das palavras destacadas, o tema principal que busquei abordar é o AMOR, pois acredito que através dele a gente pode tudo. Nota importante: Me refiro a todo tipo de amor e não só do amor romântico e idealizado, mas sobre AMORES QUE TRANSFORMAM E NOS LIBERTAM.  

A artista aproveitou para registrar e homenagear o Dia da Visibilidade Lésbica, que aconteceu em 29 de agosto.

Pintura dia da visibilidade lesbica

Nós agradecemos de coração o trampo e empenho em nossas paredes. É um honra poder passar nossos dias acompanhados pelas criações de Cristina! Sua fachada fica em exposição até o dia 11/09.

A artista está também em exposição na cidade de São Paulo também no Farol Santander! Vale a pena conferir!

Veja os produtos da artista em : https://www.elcabriton.com/pagnoncelli

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