Pois bem, se passaram 110 meses desde a primeira pintura na fachada da nossa loja!

Com muito orgulho o nosso convidado da vez é o grande mestre Cazé, a.k.a. Fernando Sawaya. Vindo diretamente de terras cariocas, o artista de 31 anos pegou uma semaninha em São Paulo digna da fama da cidade: chuva e garoa.

Cazé arte
foto acervo cazé

Isso não foi nenhum problema para ele que está acostumado com paredes em diversos terrenos e de diversos tamanhos. Cazé se formou em Design e Artes Plásticas e é autodidata em Motion Design. Seus primeiros riscos foram junto da galera da pichação no Rio de Janeiro, experiência que considera ter sido sua porta de entrada para o mundo do grafite.

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Foto: acervo cazé

Seu trabalho tem duas características marcantes: a técnica de pintura inovadora na arte de rua e o personagem “Barbudinho”.  A técnica lembra muito obras de artistas consagrados como Van Gogh.  Cazé consegue o resultado colocando uma agulha na saída de tinta da lata de spray. A agulha ajuda a direcionar e afinar os traços do spray em direção ao muro dando esse aspecto de “pincelada”.

O personagem Barbudinho representa o próprio artista. No início andando sempre de mochila, tênis, boné e casaco e facilmente encontrado pelos muros da Lapa, bairro boêmio do Rio.

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foto : acervo cazé

” Na rua você precisa ter um destaque, se diferenciar. Em São Paulo temos os Gêmeos com personagens amarelos, o Crânio com personagens azuis, Onesto com personagens preto e branco, tomei esses caras como referência na época e percebi que não existia um personagem barbudinho. Na busca por algo autoral  surgiu o Barbudinho que acompanha e representa a minha própria vida, já passou por diversas fases desde a criação dele em 2008.”

Hoje o barbudinho parece estar mais interessado em música e instrumentos musicais. O artista conta a seguir um pouco mais sobre sua trajetória:

Você se lembra qual o seu primeiro contato com arte na vida?
Foi moleque, indo a exposições de arte com a minha mãe.

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Você começou a pintar na rua pixando? 
Meus primeiros riscos com spray foram pichando, mas nunca me considerei um pichador. Hoje em dia sou só fã da pichação, inclusive ia achar foda se tivesse uma faixada da El Cabriton toda pichada!  ( a gente concorda!)

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Você pode explicar um pouco sobre sua técnica de pintura? Há uma pitada de referência em artistas do impressionismo? 

Com certeza, quando resolvi entrar de cabeça no meu trabalho fui estudar a pintura clássica, a base da arte, os grandes mestres e suas técnicas. Eu já tinha uma grande queda para o os pós-impressionistas e há dois anos comecei a unir essas duas paixões e misturar as técnicas. Fui pesquisando como eram os processos criativos de Van Gogh e Toulese e fui adaptando para a minha realidade com o spray. Hoje em dia consegui chegar a um resultado que me deixa satisfeito, uma técnica única na arte urbana. A cada dia sempre tendo aprimorar  e continuo estudando firme.


Quais suas referências e como você acha que elas aparecem no seu trabalho?
Minhas principais referências são os pintores pós-impressionistas e os fauvistas, Van Gogh e Toulese para mim são os verdadeiros mestres, me inspiram diariamente, quase todos os dias olho os livros que tenho.

O seu personagem, o Barbudinho, ultimamente  está sempre tocando algum instrumento musical, você toca algum?
Sou o cara mais desafinado desse mundo! rsrs

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foto acervo Cazé

Qual o papel da música no seu processo de criação e inspiração?
A música sempre me inspirou ou foi presente em minha vida, principalmente o Jazz. De uns tempos para cá foi se tornando mais presente em minha vida ao ponto de eu ter uma mulher que canta Jazz,  uma família quase toda de músicos de jazz, sogro, sogra… tudo isso foi me influenciando e me inspirando. Comecei a pesquisar a fundo o movimento, tentar entender mais a história e a beleza dos instrumentos, que muito me fascinam também.  A cada dia vou pesquisando mais e mais. Até o momento, é algo que me toca e me inspira, que me motiva a sair de casa e contar uma história através dos murais que faço na rua ou na casa de alguém.

Existe uma”rivalidade” Rio vs São Paulo nas arte de rua? Quais as diferenças entre a cena aqui e lá? 
Não vejo como rivalidade. São Paulo é a capital mundial do graffiti, uma cidade intensa, cinza que necessita muito da existência da pichação e da arte urbana em geral. Já o rio é uma cidade litorânea, mais calma, sinuosa pelas belezas naturais. Essa diferença de ritmos é que caracteriza o movimento em cada cidade. Se formos falar de mercado, 90% de investimento de publicidade e afins sai de São Paulo, por ser também a capital financeira do país. No Rio vamos a passos lentos, mas pelo menos estamos andando ahahha.

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caze arte fachada

Se você pudesse pintar um muro em qualquer lugar do mundo, qual seria?
Em algum cenário de conflito aonde eu pudesse através da minha arte poder apaziguar uma guerra ou trazer benefícios para determinado povo.

caze arte fachada

Como foi a experiência de pintar aqui na Rua Augusta? 
Pintar na Augusta, numa das principais ruas da cidade de São Paulo para mim foi um marco, uma experiência ótima como artista, uma troca com as pessoas, isso tudo é muito enriquecedor.

caze arte fachada

caze arte fachada

Ping-Pong

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Amarelo ou Azul? azul

Lasanha ou Churrasco? churrasco

Destilado ou Fermentado? fermentado

Chaves ou Chapolin? os dois ahah

Pitfall ou Enduro? Enduro

Beatles ou Rolling Stones? nenhum dos dois rsrs

Giraia ou changeman? Giraia

Roquefort ou Gorgonzola? os dois rsrs

Muro lisinho numa rua tranquila ou parede esburacada numa rua movimentada?  os dois rsrs

Canetão ou Pincel? pincel

Toda equipe da El Cabriton agradece o carinho e dedicação de Cazé em nossas paredes <3

Acompanhe o trabalho dele em :

www.instagram.com/cazearte/   e
www.facebook.com/pg/cazearte/

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One Reply to “A nossa 110ª fachada é do Cazé”

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