A história da camiseta até hoje e como se tornou tela para mensagens feministas

A história da camiseta até hoje e como se tornou tela para mensagens feministas

10 de março de 2021 0 Por Carol

Compramos camisetas em uma infinidade de lugares com muita facilidade, pois ela é um dos itens mais populares do mundo. Mas você já parou para pensar na importância desse objeto, como surgiu, e a história por trás dessa peça indispensável?

UM RESUMO DA HISTÓRIA DA CAMISETA

As 1ªs camisetas surgiram no guarda-roupa masculino, lá pelo século 20. Especula-se que ela nasceu da evolução das union suits, roupa íntima feita de linho que cobria todo corpo e era usada por trabalhadores. Na época, a camiseta possuía golas mais largas e mangas mais curtas.

Era uma roupa prática no inverno, mas muito quente durante o verão. Foi aí que alguns homens tiveram a ideia de cortá-la pela metade, dando origem à uma espécie de pijama em duas partes, passando-a chamar de “long johns.

Porém, até chegar ao que conhecemos hoje houve um longo caminho pela frente. No século 19, os fabricantes começaram a explorar outros tecidos flexíveis para tornar o produto mais confortável. Mesmo com vários testes, as peças não eram consideradas casuais e ainda eram usadas como roupa de baixo.

Em algum momento, os fabricantes decidiram ajustá-la com material elástico permitindo deslizar facilmente o tecido sobre a cabeça, deixando-a sem botões. As pessoas ficaram fascinadas com a ideia – e até começaram a vestir a peça em público! O uso se espalhou em vários estados americanos que aprovaram leis proibindo as “roupas íntimas” em público.

Air Corps Gunnery School, camiseta apresentada na capa da Life em 13 de julho de 1942 

Foi apenas na 1904 que a marca Cooper Underwear Company lançou a camiseta como “camisa dos solteiros” em sua principal campanha de marketing. Pouco tempo depois, o produto se transformaria no que conhecemos hoje.

A camiseta foi reconhecida (1913) como uniforme oficial da Marinha dos Estados Unidos, ficou famosa no Exército Americano e bastante popular na década de 60, e até ganhou o nome de “T-Shirt”, como forma de expressão dos jovens que levavam seus recados no peito.

Devido à aceitação de roupas mais folgadas ao longo das décadas, há evidências de que as mulheres aqui começavam a usar camisetas tradicionais silenciosamente já na década de 1920, mas foi na 2ª Guerra Mundial que se tornaram populares entre elas.

Catálogo da Sears de 1950

As camisetas femininas começaram a aparecer à venda nos anos 50 nos catálogos da Sears. As mulheres com suas camisetas finalmente estavam surgindo – e isso era uma revolução total.

A DÉCADA DE 60 E SUA IMPORTÂNCIA PARA O QUE VIVEMOS HOJE

A década de 60 foi marcada pela revalorização dos “objetos” da sociedade industrial, que então ganharam status de manifestações artísticas. É o caso dos posters, dos quadrinhos, da camiseta e da própria moda. Foi só a partir daí que a camiseta foi adotada pela juventude como símbolo de contestação.

As cores usadas foram ampliadas, assim como os tecidos. Logo foram surgindo camisetas estampadas, feitas a partir das mais diversas técnicas e depois disso, não houve mais limites na moda.  

Alix Dobkin vestindo uma camiseta do The Future Is Female da Labyris Books. Foto de Liza Cowan. 1975

Em total sincronia, artistas da geração underground, que descobriram a força dos quadrinhos, jovens ao som do rock’n’roll, ao ronco das motos, os artesões hippies, todos elegeram a camiseta como roupa universal, fazendo surgir novos valores ao consumidor diante daquele item “fashion”.

A CAMISETA COMO NOVO VEÍCULO PARA SUA EXPRESSÃO

Com o advento da moda unissex em 60, a camiseta tornou-se tanto símbolo de virilidade quanto de feminilidade. Nas ruas de Copacabana, os precursores desse estilo eram uma tendência na época. Tem algo a dizer? Em vez disso, imprima-o. 

A estilista Katherine Hamnett e outra mulher em 1985 usando camisetas com design de Hamnett

Com o passar do tempo, a publicidade enxergou nessas peças verdadeiros outdoors ambulantes, e foi assim que artistas plásticos, marcas, designers e criativos tornaram a peça acima de tudo algo ligado a ousadia, expressão e criatividade.

Ela também nos liga a sonhos a ideais. De fato, como é uma roupa mais simples, mais direta, também oferece uma integração maior com o corpo, participa de movimentos ecológicos, da luta pelo respeito negro, das mulheres.

A ‘consciência do mundo da arte’: em 1985 as Guerrilla Girls começaram uma campanha de pôsteres que foram parar em camisetas (Crédito: Boneshaker Photography)

E por falar em mulheres, os anos 80 foram importantes para elas. Tanto quanto falamos em arte quanto em moda, liberdade e expressão. Artistas nessa época começaram a fazer experimentações usando o material como tela e inspiração, e desde então a ideia nunca mais foi desvinculada do conceito.

Nos anos 90, a camiseta passa a ser usada por qualquer um na sociedade, sem necessariamente ter comprometimento com causas, ideologias, sexo ou faixa etária.

Mulher vestindo uma camiseta do The Future Is Female durante a Parada do Orgulho LGBT. 
Indianápolis, junho de 2016. Foto Steve Baker, via Flickr

A VESTIMENTA MAIS DEMOCRÁTICA

Hoje, são inúmeras lojas, marcas, artistas independentes que trabalham a camiseta customizando a sua mensagem, que é a palavra de ordem. Cada um pode expressar o que pensa e sente através de estampas autorais – e é preciso se diferenciar e se identificar com o que você veste – cada dia mais.

É o caso da El Cabriton que neste mês de março, para relembrar a luta pelos Direitos Iguais de todas aquelas que não se calaram, lança uma coleção exclusiva e maravilhosa com 5 artistas para reverenciar o poder das Mães!

5 artistas maravilhosas uma coleção para reverenciar as mães: O Poder da Mãe

“[A camiseta] é uma maneira realmente básica de dizer ao mundo quem e o que você é.” – Dennis Nothdruft – Curador do Fashion and Textile Museum, Londres

Com a camiseta, nenhuma outra peça consegue essa funcionalidade e liberdade de expressão. Negar a sua força é a maior falha.

Mas o que torna a camiseta tão especial e por que ela existe há tanto tempo? Além de sua capacidade de ininterrupção, sua simplicidade, sua forma básica, ela não tem gênero: é a vestimenta mais democrática até os dias de hoje.